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Homem que fez refém em Guarulhos é PM, estava afastado e iria para a Bahia

Por da redação com UOL 12/04/2021 15h03
Policial faz aeromoça refém - Foto: Reprodução

O homem que fez uma comissária de voo da GOL refém no aeroporto internacional de Guarulhos (SP), na noite de ontem, é o policial militar ambiental Frederico Correia Resende, 36, que atua em Foz do Iguaçu, no Paraná.

De acordo com o registro da ocorrência, feito na 3ª Deatur (Delegacia de Atendimento ao Turista), o PM teve um surto psicótico após ter sido liberado pela corporação paranaense para um tratamento psiquiátrico.

Procurada, a Sesp (Secretaria da Segurança Pública) do Paraná não se manifestou sobre o assunto até esta publicação. De acordo com a PM do Paraná, ele viajava para a Bahia para visitar familiares.

Resende afirmou que foi perseguido no voo até São Paulo e que esses perseguidores tinham a intenção de matá-lo e de matar seu capitão, apresentado apenas como Cézar.

Ao desembarcar, ele se aproximou de uma aeromoça da Gol, de 30 anos, que se preparava para voar para Maceió (AL), e pediu uma caneta. Quando a comissária cedeu o objeto, ele o utilizou para fazê-la refém, o colocando em direção ao pescoço dela.

Enquanto a mantinha refém, Resende afirmava que estava com bombas na mochila, o que não foi confirmado posteriormente, e desabafava contra a decisão da corporação de afastá-lo para tratamento médico.

"Eles fazem a cagada, fazem a corrupção e suicida o policial bom. Por que eu vou me suicidar se eu tenho três anos estudando medicina? Eu tenho um futuro brilhante pela frente, por que eu vou me suicidar? Eles queriam fazer o meu suicídio", afirmou.

Ainda no desabafo, o policial afirmava que tinha uma rotina de apenas estudar e trabalhar e que, por não aceitar entrar em acordos de corrupção, "virou carta marcada".

Ligação para soltar refém


Ainda com a aeromoça refém, o policial pediu a presença de policiais federais no local. Um delegado da PF (Polícia Federal) foi até lá. Quando chegou, ouviu do PM o pedido para que o capitão Cézar fosse acionado pelo telefone.

Policiais federais, então, ligaram para o capitão, a pedido do PM. Na ligação, o capitão afirmou que Resende estava sob surto psicótico e que foi liberado pela corporação para fazer um tratamento psiquiátrico.

Depois disso, o PM jogou a caneta no chão, liberou a vítima e foi revistado. Ele foi levado para a delegacia e encaminhado para tratamento médico. Ele ficou sob custódia da Polícia Federal.

De acordo com o Boletim de Ocorrência, o homem fez a comissária refém às 22h30 em frente ao portão de embarque 213. O policial foi apresentado na delegacia às 23h59.

A aeromoça não ficou ferida. Ela decidiu, por enquanto, não representar contra o policial militar.

O que dizem GOL e aeroporto


Por meio de nota, a GOL afirmou que está ciente do ocorrido e que está dando "todo o suporte necessário à colaboradora". A empresa confirmou, ainda, que ela não teve nenhum ferimento e está bem.

"A Polícia Federal está no comando das investigações e a Companhia está à disposição para prestar todo o suporte necessário. A ocorrência ficou restrita à sala de embarque do aeroporto e o envolvido no caso não era passageiro da GOL em nenhum dos seus trechos de origem ou destino", disse a companhia aérea.

A GRU Airport, concessionária que administra o aeroporto, afirmou que "os órgãos responsáveis pela segurança do Aeroporto foram acionados para controlar um passageiro que, utilizando uma caneta, fez uma tripulante como refém em um dos portões de embarque do terminal 2".

Segundo a concessionária, a ocorrência "foi controlada em poucos minutos pela Polícia Federal, em total segurança e não houve feridos. O incidente não impactou as atividades e as operações do aeroporto. O passageiro foi encaminhado para delegacia e as causas da ocorrência estão sendo apuradas pelas autoridades competentes".